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Penhora terá conta única e será obrigatória

Penhora terá
conta única e será obrigatória
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou ontem uma resolução que torna
obrigatório o cadastramento de todos os juízes do país no sistema do Banco
Central responsável pela penhora on-line - o chamado Bacen-Jud. A resolução
também criou um cadastro nacional de contas bancárias das empresas, com o
objetivo de evitar excessos no uso da ferramenta. A resolução resultou de um
pedido formulado pelo Pão de Açúcar, alegando excessos no uso da penhora on-line
pelo bloqueio simultâneo do mesmo valor em várias contas do grupo - em um dos
casos, uma mesma cobrança de R$ 28 mil foi feita em dez contas diferentes da
empresa.
O pedido da empresa acabou resultando em uma regra geral para a penhora on-line,
por um lado estimulando seu uso pelos juízes - obrigados a fazer o cadastro de
acesso ao sistema - e por outro impondo regras para evitar abusos, com a conta
única. A solução criada pelo CNJ foi inspirada em um sistema mantido pela
corregedoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde 2003, hoje com quase
três mil empresas inscritas, e igualmente criado em resposta a reclamações de
grandes empresas insatisfeitas com a multiplicação dos valores bloqueados via
penhora on-line. Enquanto o bloqueio das contas é feito imediatamente, o
desbloqueio dos excessos demorava semanas.
O Banco Central introduziu alterações para acabar com o problema, mas o máximo
que conseguiu foi reduzir o tempo de desbloqueio para cinco dias com o
lançamento da versão 2.0 do sistema Bacen-Jud no ano passado. A nova versão
criou a possibilidade de consulta prévia das contas a serem bloqueadas pelos
juízes, com resposta em até dois dias, mas tem pouca adesão dos usuários - para
os críticos, a medida duplica o trabalho, e o tempo perdido pode significar o
fracasso da execução.
A obrigatoriedade do cadastramento de juízes no sistema Bacen-Jud poderá causar
grande impacto. Apesar de ser comum na Justiça do Trabalho há seis anos, o uso
do instrumento só começou recentemente na Justiça federal e estadual. Em agosto
de 2006, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tornou obrigatório o uso da
penhora on-line e o resultado foi um aumento no número de juízes cadastrados de
30% para quase 100% do total - fazendo com que o número de consultas ao sistema
do Banco Central fosse multiplicado por dez. Hoje o tribunal faz cerca de 60 mil
mensais consultas ao sistema ao mês, frente às 40 mil feitos pelos dois
tribunais trabalhistas do Estado.
Para o advogado responsável pelo pedido do Pão de Açúcar no CNJ, Rodrigo Badaró
de Castro, sócio do escritório Azevedo Sette, a resolução aprovada ontem irá
uniformizar o uso da penhora on-line, o que beneficia tanto as empresas como os
credores judiciais. O problema do Pão de Açúcar, diz o advogado, ocorre em todas
as grandes empresas do país, e o valor da decisão do CNJ está em criar uma
solução de efeito geral com base em um caso específico.
Pela resolução aprovada no CNJ, o cadastro de contas para penhoras na Justiça
federal e estadual será mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o da
Justiça trabalhista continuará sob responsabilidade do Tribunal Superior do
Trabalho (TST). A resolução também traz regras que prevêem a exclusão das
empresas que não mantiverem recursos suficientes nas contas indicadas. (FT)
Fonte: Valor Online
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